sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Hoje tem Rancho do Neco!

Apresenta-se hoje, dia 29/01, no Rancho do Neco, a partir das 21:00 hs, um grande músico da nossa Ilha, JOSUÉ.
No repertório, bossas e sambas consagrados, músicas próprias e de compositores ilhéus, tais como: Zininho, Reizinho, Neco e Luiz Henrique Rosa
Acompanhando Josué, os músicos:
Jorge Pinto -Harmônica, Surdo e Percussão
Apogi - Bateria
Fabiano - Percussão
Nei Platt - Sax e Flauta
Compareça e convide seus amigos. VALORIZE A CULTURA MUSICAL DA TERRA.
E não se esqueçam do Tradicional Samba de Domingo no RANCHO DO NECO com VERONICA KIMURA e CONJUNTO DO RANCHO
Ingressos: R$ 10,00 (Sócios do Rancho que apresentarem carteirinha pagam meia entrada)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Juju Moura e Banda Fina Brasilidade

Neste próximo sábado, dia 30/01, Juju Moura e Banda Fina Brasilidade se apresentam na Choperria Essencial com o show Rosa viva Noel, relembrando a obra deste grande compositor, além do vasto repertório que inclui Elis Regina, Roberta Sá, Maria Rita, Pedro Moraes entre tantos outros, trazendo modern sound para nosso samba.
Juju Moura - voz
Toicinho - bateria
Haini - violão e voz
Neto - baixo

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Show do Trio do Engenho no Célula dia 5 de fevereiro



O GRUPO ENGENHO fez sucesso no sul do Brasil no começo da década de 80.
As músicas do grupo continuam sendo lembradas, tocadas e gravadas por vários
intérpretes em todo no nosso estado sendo inclusive incorporadas nas
manifestações culturais, como no folguedo do Boi de Mamão, por exemplo.

O TRIO DO ENGENHO, formado por Alisson Mota (violões e voz), Chico Thives
(bateria e voz) e Marcelo Muniz (violões, teclado e orocongo), elementos da
formação original, acrescido de músicos convidados, tem como proposta de
trabalho a continuação da filosofia da formação original do grupo de
valorizar a música e as raízes catarinenses, fazendo uma releitura do
repertório do Engenho com novos arranjos e interpretações, e apresenta
também composições criadas ao longo dos últimos 25 anos.

A música do TRIO DO ENGENHO tem como pano de fundo os elementos da cultura catarinense as quais abrange os costumes e o cotidiano dos moradores do litoral e da serra catarinense. A cultura açoriana e as manifestações folclóricas estão sempre presentes nas composições do trio, como o boi de mamão, a bandeira do divino, o terno de reis, assim como elementos usados na pesca, nas confecções artesanais de rendas e nos mitos e crenças do imaginário dos moradores do litoral catarinense, mas com uma linguagem atual, moderna e sem se prender a maneira folclorística a qual nos remete, quando se refere a estas manifestações culturais.

Fonte:Alisson Mota

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Coisa Antiga faz homenagem a Paulinho da Viola

Neste sábado, dia 23 de janeiro, o grupo Coisa da Antiga fará uma homenagem a Paulinho da Viola. Apresentaremos ao público sambas consagrados como "Timoneiro", "14 anos", "Tudo se transformou", entre outros. Após a homenagem, o samba continua com repertório de compositores como Noel Rosa, Wilson Batista, Pedro Caetano, Ataulfo Alves, entre outros.

Coisa da Antiga:

Chico Neis – voz e violão;
Fernanda Silveira – voz e cavaco;
Gabriela Flor – voz e pandeiro;
Jorge Pinto – voz e harmônica;
Douglas Delatorre (Dôga) – voz e percussão.


Homenagem a Paulinho da Viola
dia 23 de janeiro - sábado
a partir das 22:00 h
Choperia e Petiscaria Essencial
Rodovia José Carlos Daux, 9090 - SC 401 km 9
Trevo de Santo Antonio de Lisboa - próximo a faculdade CESUSC
Couvert: R$ 7,00

Programação do Rancho do Neco para esta semana

Dia 22 de janeiro, dando continuidade às sextas-feiras no Rancho, a cantora Camélia estará interpretando grandes sambas com o acompanhamento do Conjunto do Rancho:
Chico (cavaco)
Eduardo (surdo)
Da Maria (pandeiro)
Luiz Sebastião (violão 7 cordas)
Horário: 21:00 hs
Entrada: R$ 10,00 (meia entrada para estudantes e sócios do Rancho que apresentarem suas carteirinhas)
E no DOMINGO (como de costume), o Rancho do Neco espera todos para mais uma noite agradável de canjas, além da presença da cantora Raquel cantando muito samba acompanhada do Conjunto do Rancho!
Horário: a partir das 18:00 hs
Entrada: R$ 10,00 (meia entrada para estudantes e sócios do Rancho que apresentarem suas carteirinhas)

O REI E O MENINO – HAITI

O REI E O MENINO – HAITI

(Para Didier Dominique e o povo do Haiti)

(e para meu pai, Roland Klueger, que faria 88 anos hoje.)

Era uma vez um rei e um menino. Fico pensando se há alguma palavra que signifique, ao mesmo tempo, exaustão, terror, desespero e desesperança, tudo isto somado e elevado a décima potência, mas não encontro tal palavra. Só que era bem assim que estava o menino: tinha dois anos, encolhia-se de olhos catatônicos no vazio de uma calçada logo depois do terremoto do Haiti, e apareceu na televisão. Eram tantos em desespero em torno dele, eram tantos... Eram tantos os mortos em torno dele, eram tantos... Quem conseguiria prestar atenção em mais aquele menino dentro de tanta desgraça, a não ser aquele olho malicioso de uma televisão, que pegou o menino e o jogou no meu colo, sem que eu soubesse o que fazer com ele?

Era uma vez um rei e um menino. O rei era pura saúde, garbo e fidalguia: vestido com trajes tribais, tinha no rosto e no corpo os mesmo desenhos em branco, preto e vermelho que também estavam no escudo de couro que segurava na mão esquerda, pois na direita segurava a lança segura e certeira que o tornara rei tamanha a sua perícia ao caçar o leão. Ele era grande e espadaúdo, mas maior ainda era a sua fama, pois não só ao leão enfrentava: quando seu povo tinha fome, ele afrontava até os grandes elefantes, e todos viviam felizes no seu reino, bem alimentados e saudáveis, e o rei era feliz também.

Certo do poder da sua felicidade e da sua lança, o rei nunca entendeu como lhe caíra em cima aquela rede que o despojara do seu escudo, da sua lança, da sua força e da sua liberdade – como tantos outros da sua terra, teve que se curvar à chibata do traficante, aceitar a gargantilha e as algemas de ferro, resistir à longa caminhada da coleante corrente feita de gente e de ferros, viver a aviltância do navio negreiro.

A saúde antiga deu-lhe forças para chegar vivo àquela terra de degredo, de escravidão, e cruéis homens brancos de outra fala, à força de chicote, subjugaram-no e ele teve que se curvar, sem lança, sem pintura, sem escudo, e cultivar a cana que produzia o açúcar, o rum e a riqueza daqueles usurpadores da sua liberdade. Nunca mais ele foi feliz; nunca mais soube do seu povo e seu povo nunca mais soube dele, e só o que havia de belo era o mar daquela terra, todo verde, azul e transparente. Houve, também, uma mulher que reconheceu nele a fidalguia conspurcada, e antes de morrer prematuramente, o rei teve um filho, negro e lindo como ele, e que na verdade era um príncipe – mas foi um príncipe que nunca teve uma lança e que não conheceu os desenhos e as cores tribais – ao invés de leões, só houve para ele o látego do algoz.

Outros príncipes foram gerados na descendência do rei, naquela terra que parecia incrustada num mar de turmalinas, e todos tiveram a vida miserável de escravo, enquanto seus senhores tinham as vidas nababescas dos poderosos.

Um dia, já não dava mais de suportar. Eles eram mais de 500.000 negros, e os senhores eram 32.000, certos que a força do látego manteria aquela situação indefinidamente. E junto com os demais escravos os descendentes do rei lutaram e lutaram e venceram – desde 1791 a 1803 – nesse último ano venceram até o exército que Napoleão Bonaparte mandara da França. E conquistaram a liberdade!

O Haiti foi o primeiro país da América dita Latina a ser livre, a fazer a independência, isto lá em 1804, antes de todos os demais. É de se imaginar o frio que correu na espinha de tantos outros colonizadores brancos: uma república, e de negros? E se a coisa pega? Olha que escravo está tudo cheio por esta América de meu Deus! Que se faz, ai ai ai?

De modo geral, o que se podia fazer eram independências rápidas, feitas por brancos (e elas aconteceram uma depois da outra) e muita matança de negros, para evitar que a coisa trágica se repetisse e sujasse o bom nome da dita civilização européia! Sei bem como foi tal matança no Brasil: foi na guerra do Paraguai, foi na revolução Farroupilha... – não estou inteirada de como foi nos outros países, mas que a matança foi grande, lá isso foi. E a “civilização” branca quase pode respirar, aliviada – só que havia aquele pequeno país, aquele maldito pequeno país lá incrustado naquele mar de ametista, o tal do Haiti, que era um país de negros – e nunca que a tal “civilização” branca poderia deixar aquilo lá florescer de verdade – era afronta demasiada.

E nos dois últimos séculos o Haiti sofreu tudo o que é possível sofrer-se para que sua crista se quebrasse: invasões, ditaduras, golpes de Estado, o bedelho dos brancos sempre indo lá e tentando botar tudo a perder, mas a valentia daquele povo parecia indomável, e o Haiti, mesmo não conseguindo florescer como deveria, era exportador de café, de arroz, era o maior produtor de açúcar do mundo, era um país que tinha seus filhos bem alimentados a arroz, a banana, os porcos abundavam e produziam pratos deliciosos, acompanhados de banana frita, iguaria tão caribenha...

Foi agora, agorinha, no tempo da violência do neoliberalismo, o que nos leva a 1980, que o complô dos brancos resolveu que já não dava mais, que era muito absurdo em plena América ver um país de negros sobrevivendo e sobrevivendo impunemente... Então foi programada a tomada definitiva do Haiti. Foi daquelas coisas mais malévolas que as mentes doentias podem programar visando lucro: aos poucos, introduziram-se as pragas necessárias na ilha incrustada num mar de safira, e morreram todos os porcos, e depois todo o arroz, e depois toda a banana, e depois veio a praga do café.. . Aqueles negros corajosos não sobreviveriam, ah! La isso não poderia acontecer! Viveriam apenas para voltar à condição de escravos, e igualzinho como os europeus, em 1885, no Tratado de Berlim, dividiram o mapa da África à régua, causando as milhares de desgraças que estão acontecendo até hoje, os brancos do neoliberalismo pegaram o território do Haiti e o dividiram em 18 futuras zonas francas onde não haveria lei, onde o Capital imperaria, e onde, as pessoas tão famintas que estavam assando biscoitos de argila para poderem ter algo no estômago trabalhariam, de novo, em regime de escravidão. Pode parecer que tal coisa é distante de nós, mas não é. O próprio vice-presidente do Brasil, José Alencar, é alguém tão interessado no assunto que até mandou seu filho para lá para cuidar dos seus futuros interesses imperialistas. E o execrável outro dia ainda saiu do hospital, depois de mais algumas cirurgias, sorrindo para as câmaras das televisões e declarando que poderia perder tudo na vida, menos a honra. Que honra pode ter um homem assim?

(Não consigo me furtar de contar de que forma a nefanda honra do vice-presidente atingiu diretamente minha família, recentemente. Numa só tarde, uma das empresas dele, aqui na minha cidade de Blumenau/SC/Brasil, a Coteminas, demitiu 600 empregados, assim sem mais nem menos. Três primos meus, lutadores pais de famílias, perderam o emprego sem entenderem muito bem por quê – o porquê é fácil: nas novas fábricas que o “honrado” vice-presidente anda montando lá nas zonas francas do Haiti, os novos empregados trabalharão pela décima parte do salário que os meus primos ganhavam – e o salário dos meus primos já não era grande coisa.)

Bem, então tínhamos um Haiti em petição de miséria, e daí veio o terremoto. Que poderia ter acontecido de melhor para o Capitalismo e o Imperialismo dos EUA? Até o palácio presidencial do governo títere ruiu – daqui para a frente é apenas tomar posse – já não há barreiras. Ao invés de ajuda humanitária (que eles não deram nem aos flagelados do furacão Katrina, em seu próprio território) os Estados Unidos estão, descaradamente, diante de todo o mundo, fazendo a ocupação militar do Haiti com o seu exército, e tudo parece bonitinho, com a Hilary indo lá para ver como é que estão ajudando... ajudando uma ova! Alguém já viu os Estados Unidos ajudar alguém de verdade?

Não deixo de louvar as tantas e tantas equipes de tantos e tantos países que lá estão, realmente levando ajuda humanitária para aquele povo quase que nas vascas da agonia – mas a semvergonhice do Capital está lá, também, sorrindo de felicidade com sua cara de caveira.

E então o olho de uma televisão espia lá aquele menino de dois anos arrasado pela exaustão, pelo terror e pelo desespero, encolhido num vazio de uma calçada, e o joga brutalmente no meu colo – e quando tento acalmá-lo acolhendo-o junto do meu coração, ele me conta do rei, seu antepassado – aquele menino moído pelo Capital e pelo terremoto é nada mais nada menos que um príncipe, e seu antepassado que foi rei e livre caçava leões e elefantes e alimentava um povo – o menino sabia, a família sempre contara adiante o seu segredo.

Céus, céus, o que fizeram com as gentes livres da África, que quiseram apenas continuar vivendo com dignidade naquela ilha de onde já não podiam sair? Quem vai cuidar daquele menino antes que ele retorne à condição de escravo de onde seus antepassados tanto tentaram sair?

Eu choro, Haiti, choro por ti, e por teu menino, e por aquele rei. Não sei fazer outra coisa além de chorar.



Blumenau, 17 de janeiro de 2010.



Urda Alice Klueger

Escritora e historiadora

Nega Tide: Samba de Luto



Samba de Luto!


O samba perdeu sua porta-estandarte. Nega Tide partiu! partiu sem dizer
adeus aos tamborins e as escolas de samba. Como surgiu, sumiu! O Morro
do Copa, chora e o Mocotó está de luto! A bandeira do morro perde
mais uma estrela, como outras estrelas que também já partiram. Logo esta
bandeira será só pano e história. No entanto, os compositores e carnavalescos
ganham mais uma opção, pois o corpo da sambista foi embora, mas suas marcas
ficaram no nosso chão. Seus passos ainda estão soltos pela Nego Quirido e
seu bailar, como um pássaro, suavemente se movimenta de um lado pro outro.
Os sinos da catedral tocam, Nosso Senhor dos Passos olha a Praça 15 e chora,
porque não vê mais aos seus pés, sua devota histórica. Os sinos continuam a
tocar e o apito de Mestre Dica, que sem pre falou mais alto, começa organizar a
bateria. Tenente pega o seu pandeiro, Roleta começa a cantar, Dona Gininha cobra as
baianas que começam a desfilar. Audírio Simões, o mô pombo, com seu jeito
malandro de andar, diz pra todo mundo, abre espaço e deixa a nega passar.
E lá vem ela, com seus passos de donzela, flutuando no ar. O sorriso é contagiante e a
nega toda elegante, começa a sambar. Os gringos se agitam e passam a fotografar, sem saber
que levam na bagagem, as últimas imagens da negra mais popular. Sempre atrasado,
com seu casaco suado, lá vem o Seu Ademar, direto do Bloco Liberdade, com seu
sapato branco impecável, querendo falar. Falar pra todo o mundo que o samba de Floripa
nunca mais será o mesmo, porque os surdos, repiques, tamborins e ganzas que viram esta
nega sambar, se negam a voltar a fazer som, enquanto a Tide dos nossos corações não voltar
a desfilar. O samba está de luto mais uma vez. Que tristeza!

Marcos Canetta
Diretor do Bloco Liberdade
marcoscaneta@bol.com.br

foto: Hermínio Nunes