sexta-feira, 7 de março de 2008

Duas catarinenses no dia de luta das mulheres em todo o mundo

É, está chegando o "dia da mulher". Mas sempre é bom lembrar, como fez com essa dica o amigo do Mercado, Henrique Ortiga (o Kiko), o por que de esta data ter sido escolhida pela UNESCO.
Parabéns por todos os dias de luta e labuta, mulheres!
Aproveito e, no mesmo espírito, homenageio aqui todas as mulheres, falando de duas mulheres catarinenses que marcaram sua época por esse espírito de luta.
Anita Garibaldi (1821-1848) e Antonieta de Barros (1901-1952).
Você sabia que o nome da cidade de Anitápolis S.C. é uma homenagem a Anita Garibaldi, assim como é óbvio, que a cidade de mesmo nome no planalto catarinense?
Leia mais sobre a vida desta revolucionária, republicana e internacionalista catarinense. (A segunda foto é dela).Vale a pena.
e também sobre a República Juliana em SC
Você sabe aquele túnel que você passa quando vai do Mercado Público para o sul da ilha ou para o Aeroporto? Pois é, leva o nome dela : Antonieta de Barros. Pra mim, ela é quase um milagre. Mulher, podre, negra, em um estado racista no sul do Brasil, no início do século passado. Pois tornou-se professora, jornalista, deputada e estadista. Continuou sendo mulher e negra.
Leia mais sobre a vida desta fascinante mulher:
Marcio Vieira de Souza
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
A data foi escolhida pela UNESCO como uma homenagem às corajosas operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque.
Estamos no dia 8 de março de 1857 e essas mulheres reivindicavam algo bastante simples e que até hoje ainda não foi totalmente resolvido:uma jornada de 10 horas de trabalho por dia e equiparação salarial com os homens que desempenhavam igual função.
Unidas, elas decidiram por um protesto seguido de uma greve. Com o intuito de amedronta-las e de dar uma solução rápida ao impasse, os donos da fábrica, agindo em conjunto com a polícia, trancaram as portas de emergência do galpão das máquinas e atearam fogo, num desenfreado desespero de querer mostrar a sua superioridade. O saldo dessa tragédia foi a morte de 129 mulheres por asfixia.
O século XX foi marcado como sendo o da luta pelos direitos das mulheres, muitas pessoas se destacaram nesse sentido, mas uma foi de extrema importância. A alemã Clara Zetkin, feminista de carteirinha, a partir de 1890 foi a editora da revista "A Igualdade" e por mais de 27 anos pregou, claro, a igualdade entre homens e mulheres.
Clara foi uma das organizadoras da II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em Copenhague/Dinamarca, onde uma das propostas foi a discussão sobre o direito de voto da mulher na Europa. Nessa reunião ficou estabelecido que o dia 8 de Março seria uma data marcada para as grandes manifestações em toda a Europa, em homenagem as operárias da fábrica de Nova Iorque. Mas foi apenas quando mais de 1 milhão de mulheres se reuniram nas ruas que a data passou a ser reconhecida como o dia internacional de luta pelos direitos de igualdade das mulheres.

terça-feira, 4 de março de 2008

Hoje é dia de Samba e Bossa Nova na Lagoa

Só para lembrar: Hoje a noite ( terça ) e quinta-feira a cantora JUJU Moura e quarteto, formado por HAINI, XEXEU e TOICINHO, estão no DOC Café no Centrinho da Lagoa ( Posto Texaco) com muito Samba e Bossa Nova.

A crise no oriente médio está fora de controle: faça a sua parte!




Pessoal: vejam como a situação no oriente médio está complicada. Como diz a AVAAZ está "fora de controle". A AVAAZ é uma organização independente sem fins lucrativos que visa garantir a representação dos valores da sociedade civil global na política internacional em questões que vão desde o aquecimento global até a guerra no Iraque e direitos humanos. Avaaz não recebe dinheiro de governos ou empresas e é composta por uma equipe global sediada em Londres, Nova York, Paris, Washington DC, Genebra e Rio de Janeiro. Avaaz significa "voz" em várias línguas européias e asiáticas. A entidade está fazendo uma campanha urgente pela paz no oriente médio ( Gaza/Israel). Leia a matéria e entre no site de apoio e assinaturas. Leva só um minuto. Eu já fiz a minha parte e você? um abraço a todos. Marcio Vieira




A crise entre Gaza e Israel esta fora de controle. A situação chegou a um ponto sem saída: se não houver um cessar fogo, Israel poderá invadir Gaza essa semana. Esse fim de semana, alem dos mísseis caindo em ambos os lados, Israel começou um ataque por terra. Centenas de pessoas, militares e civis, de ambos os lados já foram mortos. As próximas 24 horas são cruciais pois quarta-feira Israel vai decidir se leva adiante uma invasão total de Gaza. Mas sabemos que há esperança. Alguns meses atrás o Hamas propôs um cessar fogo e 64% dos Israelenses apóiam a idéia. Ambos os lados sabem que a batalha vai além de suas fronteiras e que a legitimidade global conta muito. Precisamos de um chamado global pelo cessar fogo agora – assine a petição de emergência abaixo e encaminhe essa mensagem para amigos e familiares. Vamos entregar nossa petição para lideres Israelenses e Palestinos essa semana, o resultado também será publicado em outdoors ma região: http://www.avaaz.org/po/gaza_ceasefire_now/11.php?cl=59135469

Cidadãos de ambos os lados estão desesperados por segurança. Especialistas acreditam que sem um cessar fogo para estabilizar Gaza não há chances de se alcançar um tratado de paz e uma demarcação de fronteiras na região. Enquanto os EUA ainda mantém uma posição de não negociar com o Hamas, Israel já começou a quebrar esse tabu. Relatos públicos e nosso próprios contatos indicam que oficiais Europeus e Árabes agora apóiam um cessar fogo em Gaza. Como a guerra entre o Hezbollah e Israel em 2006, esse conflito está fugindo o controle. Assim como em 2006, a comunidade internacional pode ajudar na pressão por um cessar fogo. A briga pelo poder leva a opinião pública muito a sério, portanto vamos enviar uma mensagem global unificada para as partes envolvidas pararem com os ataques. Assine a petição para acabar com a violência em Gaza: http://www.avaaz.org/po/gaza_ceasefire_now/11.php




Com esperança e determinação, Paul, Galit, Esra'a, Ricken, Ben, Graziela, Pascal e toda a equipe Avaaz

segunda-feira, 3 de março de 2008

Para Andes, fundações de fomento à pesquisa se tornaram "espaço de corrupção"

A ocorrência de irregularidades no funcionamento de fundações de fomento à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico não é novidade para o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN). Para a professora Solange Bretas, diretora regional do sindicato, as fundações de apoio, em sua maioria, se tornaram "espaço de corrupção". “A coisa [os casos de irregularidade] já virou uma epidemia”, disse.
“Historicamente o Andes tem denunciado o abuso das fundações de apoio dentro das universidades, na questão da autonomia, do financiamento”, completou.
Ela afirma que as entidades se instalaram dentro das universidades e contam com a conivência dos reitores. “Em vez de os reitores exigirem do governo o repasse das verbas mensalmente, não, é mais fácil passar para a fundação de apoio e ela que se vire; ainda ganham um extra”, afirmou.
A comissão parlamentar de inquérito que investiga o repasse de verbas públicas para organizações não-governamentais (CPI das ONGs), aprovou na última quarta-feira (27) os requerimentos de convocação tanto do reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, quanto do presidente afastado da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), fundação de apoio privada ligada à UnB.
O motivo da convocação é a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) de uso irregular dos recursos públicos repassados à fundação.
Segundo a professora, as denúncias de má-gestão dos recursos públicos em fundações de apoio são as mesmas desde 2006, quando foi lançado o primeiro dossiê do Andes sobre o papel das fundações: “a cobrança de mensalidades, de várias taxas, a taxa de matrícula, de administração de recursos públicos que vão para os restaurantes universitários, o pagamento a professores que são em dedicação exclusiva e utilizam o seu horário de trabalho e a estrutura da universidade para desenvolver projetos via fundações de apoio para a iniciativa privada e recebem por isso”, enumerou.
Bretas ainda afirmou que a universidade pública não poderia cobrar, nem mesmo por meio de fundações, taxas para a emissão de diploma e histórico escolar ou para pagamento de cursos de pós-graduação.
Outra irregularidade apontada pela diretora sindical é a ocupação de cargos na fundação por funcionários da universidade apoiada. De acordo com o Decreto 5.205/04, que regulamenta a lei que trata da relação das fundações com as instituições de ensino (Lei 8.958/94), os servidores das universidades podem ocupar cargos na diretoria e conselhos das fundações, desde que suas atribuições funcionais não sejam prejudicadas e haja autorização da universidade.
Os fatos surgidos em Brasília, segundo a professora, não são isolados. Ela citou o caso de Santa Catarina onde o dinheiro das fundações – em grande parte público – foi utilizado “para compra de presentes, para freqüentar restaurantes, bares e outras coisas mais”. A entidade está sob intervenção judicial desde fevereiro do ano passado.
A interventora da Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (Feesc), Fátima Regina, não comenta as irregularidades que levaram o Ministério Público do estado (MP-SC) a pedir a destituição da então diretoria. Ela se limita a dizer que “a maioria das irregularidades que motivaram a intervenção estava relacionada à ausência de um modelo de gestão que permitisse controlar a instituição de forma mais rigorosa”.
Outro caso foi registrado em uma fundação de apoio ligada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) que tinha um convênio com o Departamento de Trânsito (Detran). Segundo a diretora do Andes, há uma denúncia de que, no ano passado, funcionários da fundação e da própria universidade emitiram documentos falsos para o Detran em troca de “agrados”.
Um segundo dossiê sobre as fundações de apoio está sendo preparado pelo Andes e deve ser divulgado em abril. (Fonte: Ana Luiza Zenker / Agência Brasil/Ambiente Brasil)

domingo, 2 de março de 2008

Entrevista com pesquisadora sobre a comunicação na América Latina

O FNDC ( Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) fez uma interessante e rica entrevista com a Doutora Cosette Espindola de Castro. Ela trabalha com o objetivo de criar o Observatório Latino-americano de Indústrias de Conteúdos, a doutora em Comunicação coordenou uma pesquisa que analisou a realidade de 11 países da América – Latina, desenvolvendo um panorama inédito sobre as indústrias culturais, indústrias de conteúdos em formação, suas debilidades e fortalezas. Na entrevista concedida ao e-Fórum, Cosette conta como desenvolveu a pesquisa, Industrias de Contenidos en Latinoamérica, financiada pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), entidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Veja na íntegra a entrevista no link:
http://www.fndc.org.br/internas.php?p=noticias&cont_key=232678

Morte de macacos com febre amarela gera perseguição injusta a estes animais


Mônica Pinto / AmbienteBrasil
Mais de 30 macacos foram encontrados mortos nos últimos meses, sob a suspeita – ainda não comprovada - de que tenham sido vítimas de febre amarela. Esse fato, amplamente divulgado pela imprensa diante das recentes preocupações em torno da doença, gerou um tipo de reação tão cruel quanto equivocada: a matança de macacos. A injustiça reside no fato de que estes animais são apenas vítimas da febre amarela, nunca transmissores. O vetor da doença em sua versão silvestre são os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, e, na versão urbana, o Aedes Aegypt, já bastante conhecido no Brasil porque transmite também a dengue. Apesar disso, o Centro de Proteção de Primatas Brasileiros (CPB), órgão vinculado ao Instituto Chico Mendes / MMA, recebeu vários relatos de ataques descabidos a macacos. Há indícios de ocorrência de mortes, por agressões, de cerca de 30 primatas em Minas Gerais, nas regiões de Montes Claros, Cabeceira Grande, Itabira, Buritis e Uberlândia.Chegaram ao órgão também informações sobre a morte de seis macacos no Mato Grosso do Sul e de violência contra dois bugios em Barreiras (BA), sendo que um deles, macho, chegou a perder o braço em função dos ferimentos causados ao ser apedrejado. Existem ainda relatos de envenenamento, através de denúncias levadas ao Centro de Triagem de animais do Ibama em Goiás.“Faltou divulgação por parte da imprensa de que os macacos funcionam, na verdade, como uma sentinela da febre amarela. Onde surge a doença, eles são as primeiras vítimas e alertam os órgãos de saúde”, disse a AmbienteBrasil o biólogo Marcelo Marcelino, chefe do CPB. Esse é o foco inclusive de um texto distribuído pelo Centro recentemente à imprensa, fazendo um alerta em prol dos animais. “A morte dos macacos por febre amarela silvestre evita a morte de pessoas, porque indica às autoridades que algo está acontecendo, e medidas de prevenção, como a vacinação, são rapidamente tomadas. Sem os macacos, não há aviso, e as pessoas ficam totalmente vulneráveis, porque o grande vilão, quem de fato transmite a doença, são os mosquitos”, diz o comunicado.Segundo Marcelino, além das agressões aos animais, outro fenômeno observado em reação aos casos da doença em pessoas foi a acorrida aos Centros de Triagem do Ibama, por parte de criadores, quase todos ilegais. Temerosos quanto à transmissão da febre amarela – como se viu, impossível -, eles procuraram os centros para entregar macacos que, até então, tinham sob sua guarda. O pânico também ensejou que os Núcleos de Fauna do Ibama, nas regiões Centro-oeste e Sudeste do país, recebessem mais de uma centena de ligações, em apenas uma semana, solicitando a remoção de macacos que vivem livremente em bosques e matas próximos aos núcleos urbanos.Marcelino Marcelino explica que é normal serem encontrados animais mortos, de forma natural, vitimados inclusive por outras doenças. “Nos últimos cinco anos, só 25% dessas mortes foram confirmadas como sendo por febre amarela”, diz.

sábado, 1 de março de 2008

Crônica: De drogas e aborrecentes


DE DROGAS E ABORRECENTES
Raul Longo
Volta às aulas, início de ano letivo e eletivo. Na porta das escolas a ameaça do tráfico e em toda parte a chateação dos aborrecentes. Mas é preciso manter a calma, sem perder a energia.

Final de férias, restinho de verão. Começo de março. Não ficam nem os retardatários.
Um ou outro aposentado espichando prazeres, graças à sobra do dinheiro que antes não havia, pois para os governos daqueles tempos não passavam de um bando de vagabundos.
Mas o que importa mesmo é que neste março começa, enfim, o ano letivo. E eletivo também. E lá vêm os aborrecentes.
E as drogas...
Você que é pai, mãe, tio, tia, irmão ou irmã, professor e professoras, sabe bem o que é isso. A preocupação que advém dessa mistura: drogas e aborrecentes.
Então, já que o ano inicia mesmo é agora, em março, vamos conversar um pouco sobre esse assunto, buscando compreender tão aflitivo problema, agravado pelo advento da internet por onde somos assediados por traficantes de drogas sintéticas, elaboradas em laboratórios informáticos e distribuídas de computador em computador.
Os aborrecentes, coitados, muitas vezes até por ingenuidade, inexperiência, falta de malícia, ou dificuldade de compreensão, são os principais “mulas” desse tipo de drogas. As distribuem para todos os lados e você, que está ali tranqüilo, conferindo suas correspondências, de repente recebe um anexo qualquer, aparentemente inofensivo. Quando vai abrir é mais uma vez atormentado por uma daquelas piadinhas sem graça, velha, repetida, preconceituosa, boba. E - pasmem! - descobre que a droga lhe foi infectada por um aborrecente de suas relações familiares, ou um amigo.
Se não isso, lhe enviam absurdos e alarmismos! Invasão da Amazônia! Caosáreo! Epidemias tropicais! E outros terrorismos virtuais tão improváveis e convincentes quanto os dos vídeos game.
Piores são as maledicências. A violência oral desses drogados fazendo da tela do seu monitor um muro de comadres, onde a vida alheia é defasada e devassada sem qualquer compromisso com o menor senso de ridículo ou responsabilidade com fatos, fontes. Nenhuma base de comprovação do que, anonimamente, inventam sobre quem bem entendam. Acusa-se por acusar. Comentam-se particularidades individuais que mesmo no mais intenso convívio não se conhece da própria esposa, do próprio filho e nem de si próprio. Não têm consideração por nada nem ninguém. Querem é extravasar o inexplicável ódio a que são condicionados pelas drogas, e pouco lhes importa qualquer relação com a verdade.

É triste! É mesmo muito triste se ter um viciado nessas drogas. E não dá para fazer vista grossa, dar desculpa de que as traficadas pelos computadores sejam drogas leves, que não chegam a causar dependência. Muitos pais e amigos consideram mero passatempo sem maior importância, e quando se dão conta estão convivendo com um Roberto Jefferson dentro da própria casa.
Nunca se pode prever quando uma bad trip vai passar da crise de pânico de uma Regina Duarte, para crise de histeria de uma Heloísa Helena. Hoje você o ignora como uma Ana Maria Braga qualquer, e amanhã ou depois tem lá uma Hebe Camargo pulando como Ivete Sangalo ou chorando como Cristiane Torloni bem no meio da sua sala, na frente das visitas, incomodando seus vizinhos.
Previna-se contra tais vexames: assim que perceber que o seu filho, sua filha, algum ente de suas relações está sendo usado como “mula” para o repasse dessas drogas, dedique um pouco de sua atenção. Converse, explique. Mas nunca perca a paciência. Não abandone esse viciado à própria sorte ou nas mãos dos traficantes.
Incentive o uso do computador para atividades mais inteligentes e proveitosas. Indique sítios mais democráticos, participativos, melhor informados. Mostre como tirar dúvidas ou construir informações baseadas em fatos reais, em dados concretos. Tanto pelos sítios dos diversos ministérios, quanto do IBGE, da FGV e outros institutos de pesquisa que registram recordes que sequer sonhávamos possíveis. Ali mesmo o seu aborrecente poderá comparar o Brasil de hoje, com o que era há 7, 9, 10 anos atrás.
Se isso ainda não o ajudar a compreender o quanto este país melhorou em todos os aspectos, indique sítios de profissionais de reconhecida competência e credibilidade, como o do Luís Nassif, do Mino Carta, do pessoal da Caros Amigos, do Paulo Henrique Amorim. Afaste seu filho, seu primo, seu irmão, seu amigo, dos sítios de torcidas organizadas, criados apenas para instigar à violência e incentivar a estupidez.
Mostre que as páginas pornográficas só levam à solitária e improdutiva masturbação. Denuncie a pedofilia dos que estupram virtualmente a consciência e o raciocínio dos aborrecentes desse país.
Dê bons exemplos. Aponte os grupos de trocas de informações inteligentes, de comentários sadios sobre as realidades do Brasil e do mundo. Tem o Beatrice, o Credibilidade Ética, o do Eduardo Guimarães. Tem os Apoiadores do Zé Dirceu, o Universidade Nômade e uma infinidade de outras listas que podem ajudar na recuperação do seu aborrecente, afastando-o das drogas.
Claro que a princípio ele reagirá, acreditará que você está querendo enganá-lo, querendo “fazer sua cabeça”. Mas é uma reação compreensível. Até agora ele sempre foi condicionado a pensar da forma que interessa aos traficantes, então é natural imaginar que você pretenda a mesma coisa. Entenda: para aquele que sempre foi enganado, mesmo quando se descobre como tal, não há outra intenção possível e neste mundo só existem enganadores.
Seja compreensivo, perceba que vítima de subliminar e cotidiana injeção de drogas, o aborrecente perde a capacidade de distinguir. Não diferencia pit bull de bichano. Estende o dedo a rottweiler, pedindo: “- Dá o pé louro!”

Antes que o aborrecente de suas relações chegue a esse ponto, cabe a você lhe apresentar uma chance. Insista. E se continuar resistindo, baixe sítios estrangeiros e traduza as notícias correntes nos principais órgãos de imprensa do mundo. Mostre quanto mudou a percepção internacional sobre o Brasil. De como saímos dos piores e mais vergonhosos índices sócio/econômicos mundiais, para nos tornarmos, como país e sociedade, uma referência exemplar apontada em discursos de grandes estadistas e páginas de conceituados órgãos de imprensa das grandes nações e potências.
Como última, mas principal recomendação: livre-se de seus próprios preconceitos. Não julgue o seu aborrecente apenas pela idade, por faixa etária. Existem aborrecentes de 15 e 37 anos. Há aborrecentes de 48 ou 60 anos. Nunca é tarde para se tirar um aborrecente do obscuro mundo das drogas, mas é um erro pensar que nesse mundo só caem os mais jovens e as crianças. Ou os menos cultos e educados.
Nunca se julgue superior a um aborrecente. Nunca julgue um aborrecente descartável. Entramos em ano eletivo, e as drogas estão soltas. Não os abandone à própria sorte ou em mãos dos traficantes.
Tenha paciência, compreenda seus problemas de auto-afirmação. Entenda que ainda torcem para que o Brasil volte a dar errado como os fizeram acreditar que aconteceria, apenas para provarem a si mesmos terem acreditado nas pessoas certas. Qualquer analista, psicólogo, sabe como funciona essa relação, essa doentia dependência sado/masoquista entre o enganado e o enganador.
Nunca ouviu falar de mulheres que só se apaixonam por homens canalhas, ou vice-versa? A dependência psíquica do seqüestrado ao seqüestrador? A projeção da vítima ao algoz?

Principais sintomas da aborrecência.

Inúmeros são os sintomas da aborrecência, relativos à droga da qual depende. Mas uma característica se generaliza entre todos: o pedantismo. Todo aborrecente é antes de tudo um pedante.
Há não muito tempo, uma mulher em idade adulta mandou o autor de um livro de mais de 200 páginas versando sobre o candomblé, que pesquisasse quem entenda do assunto, porque, segundo ela, Olorum não significa grande coisa na cultura e nos cultos afros como teria afirmado o escritor do livro com aproximadamente 500 notas de referências etnográficas. Nem passou pela cabeça da dona, a impossibilidade de alguém que não tenha idéia do significado de Krishna, em escrever 10 linhas sobre hinduísmo. Ela foi logo reproduzindo e afirmando como profunda sabedoria a informação com a qual lhe enganaram, ou que ela própria entendeu mal.
O que é isso? Típico pedantismo de aborrecente. E o que faz um aborrecente, adulto, ser pedante ao ridículo de mandar alguém se informar sobre um assunto do qual demonstra quase absoluto desconhecimento? Exatamente esse quase.
Independente da idade cronológica que tenha, o aborrecente é todo aquele que quase sabe de alguma coisa. Quase sabe, mas nunca sabe o suficiente para aproveitar as excelentes oportunidades que se lhe apresentam de ficar calado, de observar, aprender. A ansiedade provocada pelas drogas, o impulsiona compulsivamente ao ato da fala ao mesmo tempo em que o torna desprovido de raciocínio próprio. Resulta que na verdade ele não fala, mas articula repetindo o que as drogas inculcam em seu cérebro debilitado, reproduzindo a ação popularmente denominada como síndrome do papagaio.
É preciso compreender esse processo e, sobretudo, ter paciência e relevar o pedantismo do aborrecente porque não lhe é uma expressão natural, mas incutida pela droga que consome. Observe: o que é um Jô Soares? As meninas do Jô Soares? O William Wack ou Bonner? O Arnaldo Jabor?
Ainda que não tão pesadas quanto alucinógenos como Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi que conduzem gôndolas em seus delírios venezianos pela Vieira Souto ou Av. Paulista, todas essas drogas também levam os aborrecentes a surtos psicóticos coletivos quanto ingerem Eliane Catanhede, um insalubre e inconfundível caso de ameaça à saúde pública!
Outro triste sintoma bastante conhecido é a depressão aguda Clóvis Rossi. É lamentável o estado dos consumidores desta droga. Neste carnaval se registrou o caso de um fã que na festa de comemoração da vitória de sua escola de samba, resolveu declarar curtida paixão à atriz Luciana Piovani. La Piovani, levemente embriagada, encantou-se com o discurso do rapaz a quem entregou as chaves do próprio carro e apartamento. Chegando ao recinto, o felizardo descobre num estandarte alçado à parede principal da sala do apartamento, que coincidentemente a musa também é torcedora de seu time de coração, por sinal sagrado campeão estadual no último certame, o que conferiu ao torcedor o prêmio de polpudo bolão. Não obstante, sem qualquer razão aparente, repentinamente o saudável jovem é acometido de tão aguda depressão que a celebridade teve de chamar socorro. Mexe daqui, mexe de lá, encontraram no bolso do pobre aborrecente desfalecido, ao lado da bela em mínimas peças íntimas, um recorte da droga Folha de São Paulo, potencializada pela droga Clóvis Rossi.

Depois de medicado e já tendo retomado parcialmente a consciência, o rapaz comentou: “- É... Sim, bonita... Mas no tempo de FHC era melhor.”
Enfim, embora possamos exemplificar alguns efeitos das drogas, na verdade sempre serão inesperados e devemos estar preparados para ajudar nossos amigos. Muitas vezes, na aparência serena de um Carlos Heitor Cony, revela-se o potencial explosivo de uma bomba H (a de Hiroxima, não a ex-senadora).
Poderíamos nos debruçar aqui sobre outros sintomas também muito comuns, como o da droga Mirian Leitão, mais deprimente do que veraneio na Transilvânia. Ou o do individualismo provocado por drogas tipo Augusto Nunes, que causam babas de ódio e escorrimentos das fossas nasais a cada vez que o viciado calcula o correspondente de um prato de comida possibilitado pelo PBF, em gramas de sua droga predileta. É verdade que a grama da droga Augusto Nunes anda desvalorizada no mercado, mas para seu viciado, alimentar criança miserável continua sendo um desperdício demagógico imperdoável.

No entanto, não perca a esperança nem a paciência. Lute pela recuperação do seu aborrecente. Não desista dele... A menos que já tenha chegado ao estágio Olavo de Carvalho. Aí meu amigo, minha amiga, desculpe a sinceridade, mas nesse caso não tem Olorum, Krishna, Alá ou Jeová que dê jeito. Pode enfiar camisa de força e mandar internar que o caso já está perdido.
Raul LongoPouso da Poesia
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